quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Ventos patagônicos


Patagônia é um nome que evoca terras distantes e selvagens, talvez até lendárias como Narnia e Terra do Nunca. Na verdade, a Patagônia é bem real e começa logo ali, a menos de três horas de voo de Buenos Aires.

Fácil de chegar, bom de ficar. Cidades como El Calafate e Bariloche tem boa estrutura de turismo e estão bem  perto das impressionantes atrações naturais da região: geleiras, montanhas, lagos azuis e belíssimos parques. Se você gosta de picos nevados, gelo azul e friozinho, nem precisa ir para a Europa, a Patagônia está mais perto.

Conhecemos apenas as cidades mais próximas. Ainda não chegamos em Ushuaia, mas pretendemos corrigir essa falha num futuro próximo.


El Calafate

É uma cidade muito agradável, mas o clima pode ser traiçoeiro. Estivemos lá duas vezes, em dezembro. Na primeira vez fazia muito calor e no hotel não havia ar condicionado, apenas um aquecedor. "É que nunca faz tanto calor aqui",  justificou a moça da portaria. Na segunda vez, choveu um dia inteirinho. Perguntamos onde poderíamos comprar um guarda-chuva e, adivinhem, não há guarda-chuvas para vender na cidade, porque "nunca chove em Calafate". E na manhã seguinte, ao abrir a cortina do quarto, descobrimos que havia nevado durante a noite toda. Neve no verão? Sim, claro. Embora nunca houve registro de neve na cidade no verão, nesse dia nevou. É o verão patagônico em toda a sua glória!


Calafate é o nome de uma frutinha da região, uma espécie de cereja com a qual se fazem doces, geléias, licores e recheio de alfajores.


A principal atração da cidade é o glaciar Perito Moreno, uma geleira gigantesca de inacreditável beleza, cujo nome é homenagem ao cientista que o descobriu, Francisco Moreno. Podemos apreciá-lo de duas formas: passeando bem pertinho ou caminhando sobre ele. Sem muita vontade de andar sobre gelo, optamos pelo passeio das passarelas, que é assim: você vai de ônibus ou carro até o Parque Nacional dos Glaciares, onde há uma série de passarelas e mirantes de madeira que permitem ver e fotografar o glaciar de vários ângulos, todos deslumbrantes. A graça é ficar esperando a queda de um pedaço da geleira, um fenômeno natural que acontece o tempo todo no verão. O barulhão a gente escuta constantemente, duro é pegar no pulo e filmar ou fotografar o evento. O programa inclui um passeio de barco opcional, que não fizemos porque passear pelas passarelas estava muito bom. O lugar tem boa estrutura: cafeteria, lojinha, banheiros. 


O passeio de barcos pelo Lago Argentino, durante o qual se pode ver outros glaciares de pertinho e vários icebergs, é muito bom. Fizemos esse passeio em nossa primeira visita a Calafete, em 2010. Na época o barco chegava até o glaciar Perito Moreno, mas atualmente não chega mais.


Para quem gosta de caminhadas e paisagens estranhas, o passeio para o Bosque Petrificado La Leona é muito interessante, mas não esperem propriamente um bosque de árvores de pedra. A gente caminha pela estepe patagônica dentro de uma propriedade particular, a Estância La Leona e o guia vai mostrando ossos de dinossauros (que parecem pedras) e troncos petrificados (que parecem troncos). É bonito, mas se estiver chovendo ou se tiver chovido no dia anterior, a estepe patagônica fica mais escorregadia do que sabão patagônico e o pobre do guia gasta mais tempo segurando turistas cadentes do que mostrando ossadas. Mas não se preocupem, aparentemente só chove em Calafate quando nós estamos lá. Perguntem antes de ir.


A Laguna Nimez fica na própria cidade de El Calafate, não muito longe do centro. É um lugar onde se pode ir à pé, sem contratar excursões nem guias, e fazer mais ou menos uma hora e meia de caminhada tranquila apreciando a paisagem, os animais e as plantas da reserva natural. Há diversas espécies de pássaros e um observatório onde se pode ver e fotografar os flamingos que moram lá. Os guias e o pessoal dos hotéis não divulgam muito esse passeio, provavelmente por razões comerciais, mas vale a pena. 



Perto da Laguna está o Centro de Interpretación Histórica, uma espécie de museu de história natural desses que cheiram a penas e couro velho, indicado para os loucos por dinossauros, já que possui esqueletos inteiros desses bichões. 


Para os mais animados, recomendamos a excursão para o Parque Nacional Torres Del Paine, na Patagônia Chilena. São 5 horas de viagem num caminhão adaptado (totalmente confortável), um passeio pelo parque e uma parada para fotografar guanacos, uns bichinhos bonitos parentes das lhamas que cospem nas pessoas quando se sentem ameaçados (cuidado com os guanacos). O almoço é um lanchinho reforçado que se come dentro do parque, sentado numa pedra ou no chão mesmo, e banheiros, só na fronteira e no único restaurante do caminho. É meio puxado e rústico, mas a paisagem compensa totalmente.



El Chaltén

A três horas de ônibus de El Calafate está El Chaltén, um povoado muito pequeno fundado em 1985 e conhecido como Capital Nacional do Trekking. De fato, a grande atração são as caminhadas pelas montanhas, que podem ser feitas sem guia. Não há perigo, as trilhas são amplas, limpas e muito bem sinalizadas. Além disso, há sempre muita gente de todas as partes do mundo caminhando por lá, o que inclui pencas de brasileiros. Dá para conversar e trocar informações em diversas línguas.

Toda a pequena cidade é dominada pela imponente visão do Fitz Roy, montanha que costuma matar alpinistas do mundo inteiro, incluindo brasileiros.


 

Fizemos as trilhas mais curtas e partes das mais longas:

Mirante dos Condores e Mirante das Águias: são as trilhas mais curtas, dá para fazer em duas horas. Pouca subida, paisagem deslumbrante.




Chorillo del Salto: cachoeira a três quilômetros da saída da cidade, no plano, mas boa parte do percurso é por uma estrada de terra, onde passam carros e você come poeira.


Trilha Fitz Roy: quatro quilômetros de caminhada até a Lagoa Capri, com direito a subidas, descidas, condores voando, paisagens fantásticas. A vista do mirante Fitz Roy é a mais famosa, mas as montanhas podem ser vistas de vários outros pontos. Não percorremos a trilha toda, que tem um total de nove quilômetros. 




Trilha da Torre: paramos no Mirante da Torre (uns três quilômetros de caminhada), andamos um pouquinho mais e voltamos. No caminho, mais vistas espetaculares das montanhas de vários ângulos, todos muito bonitos. A trilha completa também tem um total de nove quilômetros.




Nas trilhas é bom ir com calçado próprio para caminhadas, levar água e comestíveis. A água das lagoas é potável, mas a gente anda um bocado até chegar nelas. Filtro solar e repelente são fundamentais, porque o sol e os mosquitos não dão trégua. Há banheiros químicos nos pontos principais das trilhas (mirantes e lagoas), mas não passam de casinhas de madeira com um buraco cheio de produtos químicos no chão. É bom levar papel higiênico, algo para higienizar as mãos e saquinho para lixo.

Bariloche

É uma cidade maior do que El Calafate e El Chaltén, às margens do lago Nahuel Huapi, no norte da Patagônia Argentina.

Famosa por suas estações de esqui, a grande atração na cidade no verão é subir nos dois montes para ver a paisagem, Cerro Campanário e Cerro Catedral. No primeiro é possível subir à pé, por uma trilha, ou nas cadeirinhas voadoras. Muito agradável, para quem não medo de alturas. O Cerro Catedral é uma estação de esqui, mas no verão só resta um pouquinho de neve em alguns pontos, apenas para fazer a alegria dos brasileiros. Nesse só dá para subir de teleférico, parte caminho em cabines fechadas, parte nas tais cadeirinhas, o que elimina os acrofóbicos dessa atração. Para chegar nos dois cerros basta pegar um ônibus urbano normal ou um táxi, não é necessário contratar passeio em agências.


Já para o Cerro Tronador, fora do perímetro urbano, é necessário contratar excursão com guia. Além da paisagem e das belezas naturais no caminho, no Tronador a gente vê uma curiosa geleira negra. Não é tão linda quanto as azuis, mas onde mais se pode ver gelo preto? Só na Patagônia e, talvez, em Mordor.



Outro programa muito bom é o passeio pelo lago Nahuel Huapi até a Isla Victória. A ilha não é propriamente grande coisa, embora tenha uma história interessante e um bosque de sequoias gigantes. 



No caminho tem o Parque Nacional de Los Arrayanes, onde as árvores têm troncos cor de laranja, fenômeno que só ocorre por lá e vale o passeio. 



De quebra tem aquele momento Hitchcock no barco, quando a gente pode segurar um pedaço de pão para as gaivotas darem um rasante e arrebatarem o petisco. Só para quem não tem medo de pássaros.


Fizemos também o passeio dos Sete Lagos, que percorre os lagos da região e passa pelas cidadezinhas de Villa Angustura e San Martín de los Andes. É um daqueles passeios nos quais a parada nas atrações naturais - no caso, os lagos - é tipo desce e sobe do carro rapidinho, mas a parada para almoçar é interminável - recomendado apenas para os mais velhinhos.

Comida

Quem gosta muito de carne vai se dar bem na Patagônia, onde se come muito cordeiro, bifes de chorizo e até veados da mesma espécie do Bambi, aquele do desenho animado. Na região de Bariloche a caça ao bichinho é liberada, porque é uma espécie introduzida pelos gringos e nociva à fauna e flora locais. Opções menos radicais são as milanesas com acompanhamentos, nada muito criativo, e pizzas. 

E claro, comida sempre acompanhada por vinho ou pela cerveja patagônica!

Roupas

Durante o dia faz calor suficiente para sair até de camiseta de manga curta, mas lembrem-se que o verão patagônico não é de confiança. O sol é quente, mas quando o vento sopra, fato bastante frequente, um agasalho leve com capuz, fácil de carregar, é indispensável. Nos passeios de barco ou para sair à noite é bom ter algo mais quentinho, mas sem exageros. O importante é que a roupa seja corta-vento. Para andar sobre o glaciar é necessário roupa mais pesada, mas é possível alugar por lá.






domingo, 10 de janeiro de 2016

Seriam chatos os franceses?

Muita gente que viaja para a França diz que os franceses são chatos, mal-humorados ou arrogantes. Até gente que nunca botou os pés no território francês repete isso, porque já ouviu falar ou tem uma tia que foi mal atendida no bistrô.

Já vimos essa história até em blogs de turismo, e os próprios franceses parecem preocupados com a má fama, tanto que lançaram um manual para ensinar os profissionais do turismo a tratar melhor a freguesia estrangeira, sempre tão sensível.

Mas é o seguinte, nós entendemos de chatice e não achamos os franceses chatos. Já visitamos a França diversas vezes e sempre fomos muito bem tratados, tanto no comércio e serviços turísticos quanto pelas pessoas de uma forma geral. Os episódios de casmurrice foram tantos quanto em qualquer outro lugar, incluindo nosso lindo país.

Antes de prosseguir, deixemos claro que estamos falando de impressões de turistas, já que não fizemos nenhum estudo de comportamento típico dos descendentes de Asterix e nunca moramos na França.

De onde pode ter surgido essa história? Uma possibilidade é tratar-se apenas de incompreensão entre culturas diferentes. Franceses são, aparentemente, mais reservados e discretos do nós, e isso pode parecer antipatia aos nossos olhos. E a gente esquece que pessoas calorosas e expansivas podem ser simpáticas, mas também correm o risco de se tornarem invasivas e inconvenientes.

Os italianos são tidos como simpáticos e agradáveis, mas vimos, numa cidade pequena da Itália, uma brasileira se queixando amargamente da "falta de educação" da velhinha dona da loja que expulsou a freguesia porque estava na hora do almoço e ela queria fechar a loja. Ora, na cidade dela é assim, as pessoas não precisam passar fome ó porque você quer comprar um ímã de geladeira.

Uma hipótese bem provável é a de que os franceses são bastante apegados a uma polidez formal à qual não estamos acostumados. Fórmulas de cortesia como cumprimentos e agradecimentos são totalmente obrigatórios por lá, e não adianta ser sorridente, lindo e alegrinho se você não disser "bom dia", "por favor" e "muito obrigado" numa língua que eles entendam. A regra vale para todo mundo, não importa quem esteja pagando e quem esteja servindo. Vejam isso aqui, tem muitas doses de verdade.

Outro dado cultural que pode causar confusão: franceses bufam. Não sabemos o motivo, mas eles bufam muito, e isso pode dar impressão errada. Por exemplo, você pede uma informação e o tiozinho bufa umas três vezes antes de concluir a frase, mas isso não quer necessariamente dizer que ele está enfadado ou de mau humor. Eles bufam e fazem caretas da mesma forma que nós e os italianos gesticulamos.

Nas cidades menores, o povo é, basicamente, gentil e simpático. Encontramos muitos franceses conversadores e curiosos, principalmente os velhinhos.


Em Paris, cidade sempre lotada de turistas, os nativos podem ser tão rabugentos quanto qualquer habitante de cidade grande no Brasil, mas obedecem regras de trânsito e respeitam pedestres e ciclistas. Ou seja, eles até podem te apressar se você estiver moscando na fila da boulangerie, mas não vão te atropelar na faixa de segurança. Em Paris, essa cidade que dizem estar cheia de gente metida, vimos uma senhora bem pobre, provavelmente moradora de rua, sendo atendida com gentileza numa daquelas lojas de chocolates tão chiques que a gente tem até medo de entrar. Uma cena que não é muito comum em São Paulo, não é mesmo?

Mito: franceses não falam inglês e não gostam de quem fala. Na verdade, quase todo mundo fala inglês, principalmente os jovens, e se eles percebem que o interlocutor tem dificuldades com o francês, imediatamente mudam para o inglês. Verdade: eles parecem gostar de ouvir pelo menos os cumprimentos de praxe na língua deles. "Bonjour, monsieur" e "s'il vous plaît, madame", são frases que pegam bem. Eles também tem o hábito de corrigir quando a gente fala algo errado ou estranho em francês, mas não é por pedantismo, é para ajudar.

Situações pelas quais passamos na França:

Parados no meio da rua, rodando um mapa nas mãos, um francês oferece ajuda. Aconteceu mais de uma vez, mas a melhor delas foi uma velhinha, em Paris, que nos acompanhou dando dicas e explicações de coisas interessantes para ver.

Na bomba de gasolina self-service (coisa difícil pra brasileiros), o nativo simpático ajuda e dá uma aulinha de como usar.

Na calçada em obras onde não dava para usar as rodinhas, moço carrega a mala de Mme. Marina até um local plano e seguro.

Entramos por engano num estacionamento particular. Antes de conseguirmos sair, aproximam-se duas velhinhas. Para dar bronca? Não, para oferecer a vaga delas no estacionamento emprestada, já que nenhuma tinha carro.

Paramos na estrada para fazer um lanchinho e tomar uns goles de vinho da garrafa mesmo. Um casal que morava lá por perto, numa casa bem simples, nos ofereceu copos emprestados.

No supermercado, perdidos na imensidão de opções de queijos, um rapaz que estava por ali escolhendo seu queijinho nos dá várias dicas, em português.

Algumas dicas para se dar bem com nossos amigos que bufam:

Pratiquem a cortesia. Cumprimentem, peçam por favor e agradeçam sempre, em qualquer situação, seja no hotel, na restaurante, na loja de lembrancinhas ou na rua. Em francês, se possível, não custa aprender um pouquinho antes de viajar.

Controlem um pouco a animação, nada de comportamento excessivamente ruidoso no restaurante, por exemplo.

Evitem familiaridades: nada de fazer gracinhas, muito menos tocar nas pessoas.

Procurem não desrespeitar regras, eles se irritam bastante com isso.

Dito isso, au revoir et bon voyage!



domingo, 6 de dezembro de 2015

Três verões no Sul da França

Já estivemos três vezes na Provence e Côte d'Azur, que estão entre os pedaços mais bonitos da França. Gostamos bastante do país, e não venham dizer que é porque os franceses são uns chatos. Não achamos os franceses chatos, e ainda vamos falar sobre isso aqui neste blog.

Nossas incursões pela Provence foram no verão, em julho, e não conseguimos ver os famosos campos de lavanda floridos. Apesar do que informa este site e vários outros que consultamos, quando estivemos por lá as lavandas todas já haviam sido colhidas e estavam virando sabonete ou perfume em algum lugar. Isso quer dizer que voltaremos tantas vezes quantas a idade e o dinheiro permitirem, até vermos os malditos campos roxinhos.

Mesmo sem lavandas nos campos, a região é cheia de belezas naturais,  arquitetônicas, culturais, culinárias etc. Faz um calor dos diabos, mas por toda a parte a gente encontra fontes e bicas para se refrescar, muitas delas de água potável  e algumas brotando alegremente do chão.


Aix-en-Provence

Em nossa primeira viagem, escolhemos como base a cidade de Paul Cézanne, Aix-en-Provence, onde ele pintou tantas vezes o Monte de Sainte-Victoire. É uma cidade bastante agradável para se hospedar e passear. Tem dois museus ótimos, a Fundação Vasarely e o Museu Granet.

O centro histórico tem alguns monumentos interessantes, uma estátua do Cézanne, uma feirinha de produtos regionais durante o dia e, para quem gosta, uma quantidade aparentemente inesgotável de lojas chiques e caras. Um dos cartões postais da cidade é a Fontaine de la Rotonde, com água jorrando pela boca dos leões.

Fontaine de la Rotonde

Fundação Vasarely


Cour Mirabeau, centro de Aix

Fãs de Cézanne podem se sentir tentados a visitar o atelier do mestre, como nós. Mas é o seguinte: paga-se 13 euros por cabeça para ver apenas uma sala cheia dos cacarecos do artista e é tudo. Nem se pode fotografar. Programa só para quem se emociona com esse tipo de coisa, "oh, a canequinha do Cézanne". O mais interessante do local é o jardim que cerca a casa, muito bonito e de acesso gratuito.  A casa onde o artista morou, chamada Jas de Bouffan, também está aberta à visitação, mas não fomos. 

Placa que indica, no chão, o caminho para os sítios de Cézanne

Jardins do atelier
De Aix saímos para conhecer outras cidades da região, num  carro alugado. Dá pra fazer a mesma coisa de trem, os dois jeitos tem vantagens e desvantagens. De carro tem-se mais mobilidade e menos preocupação com horários, mas achar lugar para estacionar a geringonça nas cidades grandes pode ser um problema chato.

Avignon

Na cidade francesa que já teve uns papas, a grande atração é o palácio dos ditos cujos, o Palais des Papes, que apenas fotografamos de longe, já que moradas de papas não são nossa praia. E também a Ponte de St-Bénézet, famosa por não ir para lugar nenhum. Quem visitar a cidade durante seu famoso festival de teatro vai encontrá-la em festa, cheia de grupos se apresentando pelas ruas, principalmente em frente ao Palais. É bonito de se ver, mas encontrar lugar para estacionar não é nada divertido. Dica: há uma área às margens do rio que se vê na foto onde é possível parar o estorvo de rodas sem pagar.

Palais des Papes durante o Festival de Avignon

Ponte de St-Bénézet

 

Les Beaux-de-Provence e Arles


Les Beaux-de-Provence é uma dessas lindas vilas medievais de pedra onde todas as nossas fantasias sobre a região cultivadas pelo cinema francês viram realidade. Vielas estreitas, igrejas antigas, pracinhas, chafarizes, casas de pedra com janelas de madeira coloridas, flores por toda a parte e belas vistas do entorno. No mais, uma profusão de lojas, restaurantes, docerias, sorveterias, galerias de arte e tudo o mais que o turista gosta, infelizmente a preços bem salgados. É uma dessas  cidadezinhas francesas que apelidamos de fofocidades, de tão arrumadinhas e decorativas que até parecem cenográficas. Será?

Les Beaux

Les Beuax

Les Beaux
Les Beaux

Demos uma passadinha em Arles para ver grande atração da cidade, um bem preservado anfiteatro romano, programa excelente para quem gosta de anfiteatros romanos e nunca viu um. Visitamos também o Musée Departamental d'Arles Antique, muito bom.



Saint-Paul de Vence e outras paradas


Na Côte d'Azur nos deparamos com mais fofocidades de pedra, todas lindas, floridas e com nomes sonoros: Eze, Saint-Paul de Vence e Tourette-sur-Loup.
 
Eze
Eze

Eze
Saint-Paul de Vence
Saint-Paul de Vence
Tourrete-sur-Loup
Tourrete-sur-Loup
Estivemos também em Grasse, a terra do perfume, que é bonita mas bem menos espetacular do que Eze e Les Beaux-de-Provence. Lá o grande programa é visitar fábricas de perfume. Não fomos, mas tivemos a péssima ideia de provar sorvete de lavanda (sim, isso existe), que parece desinfetante gelado.

Grasse
Passamos também por Nice e não achamos lá grande coisa. Tem uma orla extremamente movimentada, a Promenade des Anglais, uma colina de onde se pode apreciar a bela vista da cidade e uma cidade velha que é, basicamente, velha.



Marseille

Em nossa segunda viagem à Provence, ficamos em Marseille e nos deslocamos de trem para visitar outras cidades. Marseille, para falar a verdade, não é grande coisa. O melhor da cidade é o belíssimo porto, de onde saem passeios de barco que passam pelo castelo de If, cenário do romance O Conde de Montecristo e vão até as calanques, falésias de rochas brancas que avançam para o mar de água azul.

Porto de Marseille
Marseille
Passeio de barco pelas calanques

Passeio de barco pelas calanques

A área ao redor do porto é muito animada, cheia de bares e restaurantes. Para quem gosta, é o lugar certo para comer uma porção de moules frites, que não são (felizmente) mexilhões fritos, mas mexilhões  com batata frita, um prato por algum motivo famoso na cidade. José deu conta dos mexilhões e Marina se limitou às batatas.

Outra atração da cidade é o Palais Longchamp, com sua arquitetura um tanto exibicionista. Há dois museus no Palais, o de História  Natural, que não conhecemos, e o de Belas Artes, pequeno e sem grandes atrativos, e um parque muito bonito.


Lamentavelmente não chegamos a conhecer o Musée des Civilisations de l’Europe e de la Méditerranée, mas parece que vale a pena.

Optamos por nos hospedar perto da estação de trem, para facilitar os deslocamentos. Dá para ir até o porto à pé, mas as ruas no caminho não primam pela limpeza.

Cassis 

É uma cidadezinha litorânea muito movimentada, a poucos minutos de trem de Marseille, cuja grande
atração são as calanques, que podem ser vistas de barco ou à pé. O passeio de barco é feito em embarcações pequenas, que navegam entre as calanques e fazem paradas para banho. Quem preferir ir à pé, como nós fizemos, faz uma caminhada de uns 40 minutos e chega na calanque mais próxima do centro de Cassis por cima dela. A paisagem impressionante já vale a caminhada, e dá para descer até uma das praias. Da próxima vez faremos o passeio de barco, que chega nas praias mais bonitas. Cassis é muito bonitinha e até pensamos em nos hospedar lá, mas os preços são proibitivos pros nossos bolsos. Compensa ficar em Marseille, ao lado da estação de trem.





Saint-Rémy-de -Provence


Em 2015, querendo uma abordagem mais bucólica da região, decidimos nos hospedar em Saint-Rémy. É uma cidade pequena e agradável, cheia de pousadas com aquele ar de casarão rural de filme francês. Ficamos no Canto Cigalo, simples, confortável e cercada por um belo jardim. Só erramos em reservar,  por descuido, um quarto sem ar condicionado e quase entramos em combustão espontânea, porque o ventilador não dava conta. Anotem aí: Provence, no verão, só com ar condicionado.

Os restaurantes da cidade são caríssimos, mesmo para os padrões da França. Não fizemos nenhuma refeição em restaurante em uma semana de estada, compramos comida no supermercado e pizza para comer no hotel. A dica é escolher pousadas mais simples, mas com geladeira no quarto, onde seja possível fazer refeições com algum conforto. O Cigalo permite que os hóspedes comam nas mesas do jardim ou no terraço.
O melhor de Saint-Rémy são os sítios arqueológicos: Glanum, uma vila dos séculos VII e VI a.C, e Les Antiques, conjunto de monumentos formados por arco de triunfo e um mausoléu. Dá para ir à pé a partir do centro, seguindo o que eles chamam de "rota Van Gogh", que consiste numa série de plaquinhas com reproduções de obras do artista nos locais que ele supostamente teria pintando, até chegar ao sanatório onde ficou internado uns tempos. Chega a ser engraçado como esse pessoal sabe aproveitar ao máximo o potencial turístico de uma cidade.


Les Antiques
Glanum

No mais, o centro da cidade é agradável, tem uma feirinha de produtos da região bastante apetitosa e alguns pequenos museus. Visitamos o Hôtel de Sade, um monumento antigo que exibe peças extraídas no sítio arqueológico de Glanum, mas que nada tem a ver com o Marquês famoso.




De Saint-Rémy partimos de carro para conhecer as cidades da região, particularmente as do Luberon. O espetáculo começa nas estradas:




Luberon


A região do Luberon é um parque natural cheio de aldeias (ou fofocidades) lindamente preservadas e decoradas. Gordes, com sua vista emblemática, é uma das mais famosas, mas há dezenas de outras, cada uma mais bonitinha do que a outra. Passamos por Roussillon, Cavaillon, Fontaine-de-Vaucluse, Isle-sur-la-Sorgue, Ansouis, Lourmarin, Bonnieux e provavelmente mais algumas cujos nomes já esquecemos. Para não gostar da região, precisa ser mais chato do que nós, o que é uma proeza para poucos.

Gordes
Paisagem do Luberon

Ansouis
Bonnieux
Em Roussillon, além das cidadezinha, há um parque chamado Le Sentier des Ocres onde se pode conhecer uma impressionante paisagem de falésias de areia em todas as variações de amarelo e laranja que se possa imaginar. Puro Van Gogh, mas muito poeirento e seco. Recomendamos levar muita, muita água.

Sentier des Ocres
Roussillon


Em Fontaine-de-Vaucluse a cor é o verde. A aldeia é cortada por um rio cristalino, que nasce dentro de uma caverna. Infelizmente não é permitido nadar, só molhar os pés na água geladinha.



Nîmes e Pont du Gard

Mais vestígios da ocupação romana da região podem ser vistos em Nîmes, que também possui sua arena (para quem gosta) e a Maison Carré, um templo romano muito bem preservado. Ao lado da Maison, num edifício moderna, há uma museu, uma biblioteca e, informação importante: banheiros!





O Pont du Gard é um enorme aqueduto com 49 metros de altura, muito impressionante. Sob ele passa um rio limpo e tranquilo onde se pode nadar, o que é uma ótima notícia quando a gente viaja no verão.




Mais fotos e mais informações sobre a região aqui:

https://www.flickr.com/photos/jo_ma/albums/72157625275812166